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sexta-feira, 30 de março de 2012

Olhando Fixamente para fora do Abismo


Por Adam Kostakis

"Eu amo uma oposição que tenha convicções" Frederico, o Grande

Leitura Nº 1

A batalha dos sexos tem sido degenerada em uma guerra suja, e estamos, cada um de nós, sendo convocados para essa guerra por forças que não se importam nem um pouco com igualdade nem com justiça.

A propaganda [política], como uma ferramenta de controle, é eficaz somente na medida em que a visão do mundo que ela apresenta está em harmonia com a percepção do mundo vivenciado, dia a dia, por seus alvos. Quanto maior o fosso entre o mundo percebido e o da representação propagandística do próprio mundo, menos eficaz e portanto, menos útil a propaganda será, em última análise. Chegamos a uma conjuntura em que as mulheres estão cada vez mais rejeitando o feminismo por ser irrelevante ou inaplicável às suas vidas, porque o mundo que a ortodoxia feminista descreve não parece ser o planeta Terra. Ao mesmo tempo, estamos nos aproximando do auge do controle feminista sobre o mundo real habitado, o qual combina repressão estatal com tribalismo de gênero, ambas as forças se intensificando exponencialmente à medida que usam umas às outras como alavanca para subir cada vez mais alto.


Lembrei-me de um antigo enigma, que pergunta: “quão alto se pode subir numa montanha?” A resposta é “ao topo”, porque quando você atinge o cume, só lhe resta um caminho a seguir: descer. O feminismo não tem encontrado obstáculos; o controle total está ao seu alcance, e por total, eu quero dizer no sentido de que um dia ele deverá ser totalitário. O cartão de vítima1 tem servido como um bilhete de entrada pela porta dos fundos em instituições estatais e instituições supranacionais. Agora, empoderadas sobre os homens, as feministas têm restabelecido os princípios do  Scum Manifesto2 de Valerie Solanas, declarando em uma linguagem claramente evocativa de Solução Final3 que em breve iremos testemunhar O Fim dos Homens4. A “guerra dos sexos” não está se arrefecendo enquanto as mulheres se aproximam da igualdade com os homens (ou em alguns casos, superando-os) ela só está aquecendo. As feministas não apenas estão incitando publicamente o ódio ao sexo masculino e ficando impunes por isso, como também estão utilizando seus cargos no Governo, nas instituições acadêmicas, nos grupos de reflexão e na mídia, para fazerem das suas violentas fantasias uma realidade, advogando pela renúncia dos mais básicos direitos humanos dos homens.

Para dar um exemplo recente, a Secretária de Estado da nação mais poderosa do mundo anunciou recentemente que uma unidade móvel internacional de acusação será estabelecida especificamente para alvejar homens pelo mundo afora. Para dar outro exemplo recente, uma líder feminista tem sugerido que certos princípios jurídicos destinados a proteger cidadãos inocentes, de perseguições e de aprisionamentos injustos, que remontam desde à assinatura da Carta Magna, devem ser retirados dos homens. E o feminismo não é apenas um problema restrito ao mundo Ocidental. Os homens estão sujeitos ao poder arbitrário de mulheres na Índia, enfrentando severas penas até por terem causado, inadvertidamente, a mais simples das ofensas.

Nada disso se harmoniza com o clichê “mulheres-vítimas-de”, o qual tem servido tão utilmente às feministas a chegarem a esse ponto. No entanto, o feminismo está firmemente enraizado e está no controle dos mecanismos que ostentam o monopólio do uso da força física, legítimo ou não. Não há praticamente nenhuma força contrária que resista. O Ocidente encontrou sua nova Missão Imperial para substituir a Cristandade Global: a forçada adoração às mulheres. E como qualquer voz discordante é imediata e violentamente reprimida, as feministas são livres para radicalizarem sua agenda antimasculina, a ponto de desencadearem no mundo a doença moral e todo tipo de atrocidades vingativas.

Para você ver, quando a propaganda deixa de ser uma ferramenta eficaz de controle, simplesmente as feministas procuram controlar outros meios. O controle do Estado o monopólio da violência física é o meio que as feministas têm procurado. Mas ao contrário da propaganda, a qual manipula a mente, o controle estatal brutaliza somente o corpo. O poder dos controladores, em última análise, sempre repousa sobre a resiliência do controlado, daí a necessidade em quererem forjar um consentimento geral. O Império Romano não durou quinhentos anos pelo exercício da força bruta, mas, sim, pelo apoio das massas; o Imperador era glorificado como um deus vivo, e até mesmo os menores distritos em seu reino voluntariamente erigiam estátuas e altares em sua homenagem. Durante muito tempo, os homens têm adorado diante do altar do sexo feminino, e é tentador acreditar que essa submissão psicológica não irá se render nem mesmo diante da opressão física ou do extermínio — e que os homens irão marchar para sua morte como cordeiros oferecidos em sacrifício, na esperança de ganhar, com suas últimas ações servis, o favor das mulheres. Mas as declarações a respeito do Fim dos Homens podem muito bem virem a ser tão vazias quanto àquelas que foram feitas há quase vinte anos, a respeito do Fim da História. O então chamado Choque de Civilizações que se sucedeu levou o autor a refutar sua própria posição. Nós devemos ficar otimistas quanto a termos, dentro em breve, um verdadeiro conflito entre os sexos, e daí, vermos as feministas aficcionadas “comendo corvos”5.  

Como o feminismo torna-se cada vez mais poderoso, e começa a realizar suas ambições mais radicais, simultaneamente, ele irá esgotar sua capacidade de forjar consentimento. Essas ilusões de cavalheirismo que asseguram o consentimento dos homens e em que, em última análise, o feminismo se apóia — “mulheres-vítimas-de”, “mulheres-preciosas”, “mulheres-indefesas”, e assim por diante — tornar-se-ão bastante mais difíceis de se manter no tempo. Quanto mais forças avançam contra os homens, controlam e dificultam suas vidas, mais descontentamento será fomentado entre eles. A bolha misândrica está prestes a estourar, e com toda forma de excesso, e quanto mais vermos bons homens sendo representados como criminosos e sujeitos a punições humilhantes e cruéis, uma outra rachadura aparecerá na parede, e outro passo daremos até o dia em que todo o odioso edifício desmoronará sob seu próprio peso — e, fundamentamente, sob o nosso.

Nossa tarefa, então, é dupla: primeiro, preparar o terreno, a fim de acelerar o colapso do feminismo.

Segundo (e complementar ao primeiro): construir as armas ideológicas para ajudar a prevenir um ressurgimento feminista após seu colapso.

Ambos os objetivos exigem, não força, mas, a influência de nossas próprias idéias. As coisas estando da maneira que estão, não nos é necessário distorcer a verdade. Pelo contrário, nós devemos, sobretudo, expor aquelas verdades que os outros têm distorcido; revelando fatos a um público muito mais amplo e que ainda não tem conhecimento dos mesmos, de forma diligente e sem pedir desculpas. Como um notável ativista da área explanou recentemente, ele não precisa atacar as feministas — ele diz que tudo o que precisa é mencioná-las. Basta expor o ódio feminista, usando a luz do sol como desinfetante e isso bem que poderá ser suficiente para se inverter a maré — razão pela qual serão gastas enormes energias contra direcionamentos errados, desacreditando, neutralizando e obscurecendo os argumentos e os defensores da oposição.


Uma estratégia-chave para o cumprimento de nossa tarefa foi anunciada em uma conferência em abril de 2010 sob a forma de Estudos do Sexo Masculino, uma nova disciplina que já enfrenta a hostilidade de um mundo acadêmico o qual tem sido um bastião do feminismo radical. Que este dedo na ferida, esta pedra no sapato da uniformidade acadêmica provocaria tamanha indignação, como já tem feito, não deve surpreender. Aqui está uma seleção de temas que os Estudos do Sexo Masculino estão programados a cobrir:

    Fatores socioeconômicos liderando o altíssimo envolvimento dos homens com o sistema de justiça penal e o subemprego, além de oportunidades limitadas aos pais, resultantes de mudanças na lei da guarda dos filhos (econômicas, técnico-científicas, legislação, políticas públicas);

    Representações misândricas de meninos e de homens adultos nos meios de comunicação de massa e na publicidade (estudos da mídia, incluindo cinema, televisão, internet, publicidade);

    Relatos da experiência do ser masculino (na história, literatura, autobiografia);

    Questões urgentes relacionadas ao bem-estar emocional de meninos e homens mais velhos, especialmente depressão e suicídio (psicologia clínica, medicina, psiquiatria e trabalho social).

Friedrich Nietzsche, escrevendo no fim do século 19, advertiu que, se alguém olha muito tempo para o abismo, então esse alguém encontrará o abismo olhando de volta para ele. Deve ser profundamente perturbador para as feministas acordarem em uma manhã e encontrar outras pessoas desconstruindo-as, tendo como missão de vida expor e corrigir as injustiças feministas.

Esta parece ser a razão para a violenta resposta do setor feminista à idéia de homens discutindo questões de gênero e de sexismo sem a supervisão das mulheres. Não importa o que as feministas pensam a respeito dos Estudos do Sexo Masculino, pois, as feministas não são o público-alvo da disciplina; o êxito nesses estudos não depende da aprovação das feministas, um fato que sem dúvida haverá problemas em conciliações. Independentemente disso, mesmo que lancem uma campanha orquestrada para evitar que os homens discutam suas experiências em fóruns acadêmicos, elas são incapazes de impedir que isso aconteça em todo lugar. O ponto mais delicado para pretensos ditadores é que hoje vivemos na Era da Informação. É muito difícil controlar a circulação de informações quando a nossa própria época é definida por ela. Então vamos discutir tudo isso aqui e a partir de agora — e contanto que as pessoas possam usar a internet para se reunirem e falarem o que pensam, nada pode nos parar. Vamos discutir, também, em um milhão de outros lugares do mundo real — porque se os homens nunca tivessem falado sobre suas experiências, enquanto homens, nós não estaríamos ansiosos para iniciarmos os Estudos do Sexo Masculino num futuro próximo.

Já existe um grande número de sites dedicados a questões dos direitos dos homens; com efeito, estes parecem ter se proliferado nos últimos anos, brotando por toda a terra, assim como tantos cogumelos deliciosos. Para a maioria desses blogs, não é necessário que seus conteúdos tenham um tema unificador, a não ser, o de fazer oposição ao feminismo. Dada a crescente e ativa rede de pessoas preocupadas com as condições dos homens hoje, tornou-se possível irmos além do que tem sido feito. Este blog pretende encorajar a cristalização intelectual do que chamamos de Movimento pelos Direitos dos Homens, através de uma lente de aumento em uma ampla gama de tópicos. Este blog é dedicado à elucidação da Teoria do Ginocentrismo.

O que é a Teoria do Ginocentrismo? Em suma, é um sistema que explica as relações sociais entre os sexos. Substitui a Teoria do Patriarcado, a pedra fundamental de todo o pensamento feminista. Agora memética6, a Teoria do Patriarcado tem se revelado uma enorme ferramenta em negar aos homens os seus direitos, incluindo os seus direitos humanos mais fundamentais à integridade e à dignidade física, na falsa idéia de que todos os homens são opressores (ou no mínimo, aliados aos homens opressivos de quem eles recebem privilégios) e de que todas as mulheres são vítimas do poder masculino. A Teoria do Ginocentrismo é a articulação de muitos anos de esforço por vários pensadores na esfera dos Direitos dos Homens para descrever uma visão de mundo que reflete mais fielmente as experiências dos homens — e de muitas mulheres, também. Em contraste ao tribalismo simplista e preto e branco da Teoria do Patriarcado, a Teoria do Ginocentrismo não iguala a auto-realização do sexo masculino com a posse de um poder tirânico sobre mulheres. A Teoria do Ginocentrismo não aceita que os homens ajam como um bloco de poder. Pelo contrário, a Teoria do Ginocentrismo expõe a divergência entre as categorias demográficas e de interesse; fundamentalmente, mostra que, enquanto um minúsculo número de homens detêm o poder político e social, isso não significa de modo algum que eles trabalhem em benefício de todos os homens, mas, na realidade, e muito frequentemente, que eles trabalhem pelo benefício da maioria das mulheres e em detrimento da maioria dos homens. A Teoria do Ginocentrismo defende que o poder seja entendido como multifacetado e denuncia que a política tem sido uma questão de apelo, e proteção, às mulheres.

O acima exposto, sem dúvida, fará as cabeças das pessoas girarem a respeito do que elas antes supunham de que o poder em todos os níveis possa ser identificado com o tipo de genitália daqueles que tomam importantes decisões — independentemente daquilo que eles realmente decidam.

Qualquer coisa a mais deve estar além do escopo desta leitura introdutória. E assim, vamos continuar com essa linha de pensamento na próxima semana. As Leituras serão atualizadas aos sábados, e estudiosos de todo o mundo estão convidados a participar —  ou acompanharem em seu próprio ritmo e tempo, se preferirem. As discussões serão realizadas imediatamente após. Diferentemente da maioria dos blogs feministas, cujos autores tomam Mary Daly como sua mentora ao negar sistematicamente a voz dos homens, todos serão bem-vindos a falar aqui, apesar de expulsões serem garantidas no caso de postagens de conteúdos obscenos ou de informações pessoais. Eu prefiro que as feministas sejam refutadas ponto a ponto do que ter que bani-las, mas os destinos das trolls realmente persistentes ficarão ao meu critério.  

Eu convido você a ter um dia inteiro para refletir sobre isso. Vejo você novamente.

Mais rápido do que você pensa.

Adam Kostakis

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Notas do Tradutor:
[1] Termo utilizado para designar alguém ou grupo que costuma colocar a culpa nos outros por seus próprios fracassos, por tudo, e que não assume a responsabilidade pelos resultados em suas vidas.
[2] Solução Final ou Solução Final da Questão Judaica (do alemão Endlösung der Judenfrage) refere-se ao plano nazista de genocídio sistemático contra a população judaica durante a Segunda Guerra Mundial.
[3] SCUM Manifesto é um livro escrito por Valerie Solanas em 1967 que apresenta uma proposta para a destruição total do sexo masculino.
[4] Livro da jornalista israelense Hanna Rosin, a qual decretou o Fim dos Homens e a ascenção das mulheres no atual mercado de trabalho.
[5] Humilhadas pela prova de que estavam erradas.
[6] Memética é o estudo formal dos memes. A idéia de meme pode ser resumida por tudo aquilo que é copiado ou imitado e que se espalha com rapidez entre as pessoas.
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KOSTAKIS, Adam. Olhando Fixamente para fora do Abismo [Staring Out From the Abyss] [em linha]. Tradução e notas de Charlton Heslich Hauer. [S.l.]: Gynocentrism Theory, 2011. Disponível em: <http://gynotheory.blogspot.com/2011/01/staring-out-from-abyss.html>. Acesso em: 07 out. 2015.

Atualizada e revisada em: 07 out. 2015 às 13:42h.


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