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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Como Quebrar uma Dialética


Décimo segundo e último artigo sobre a Teoria do Ginocentrismo

Artigos anteriores desta teoria:
Leitura Nº 1: Olhando Fixamente para fora do Abismo
Leitura Nº 2: A Mesma História Repetida
Leitura Nº 3: Refutando o Apelo ao Dicionário
Leitura Nº 4: "Pig Latin"¹ – Brincando com as palavras
Leitura Nº 5: Anatomia de uma Ideologia da Vitimização
Leitura Nº 6: Vinho Velho, Garrafas Novas
Leitura Nº 7: O Pessoal em Contraste ao Político
Leitura Nº 8: Perseguindo Arco-íris
Leitura Nº 9: Falsa Consciência e Manipulação-Kafka
Leitura Nº 10: A Conseqüência Final do Feminismo, Parte I
Leitura Nº 11: A Conseqüência Final do Feminismo, Parte II


Por Adam Kostakis 

Leitura Nº 12

“O feminismo ajuda os homens também!” — Ditado popular do final do século 20

Se você dispôs, ainda que de um curto período de tempo, visitando os sites e blogs da esfera dos Direitos dos Homens, você, sem dúvida, já deve ter encontrado uma ou duas detratoras feministas afirmando que “Nem Todas as Feministas São Assim.” Isso se tornou tão comum que os Defensores dos Direitos dos Homens têm se referido a isso como “a defesa NTFSA”. Mas essa alegação deve ser assim, prontamente rejeitada? Dependendo do contexto, a feminista pode muito bem estar certa. Uma suposta feminista que tenha encontrado acidentalmente minhas duas últimas postagens, as quais apontam como conseqüência final do feminismo o extermínio físico dos homens, pode muito bem contestar que não é esse o futuro que ela espera, e, portanto, que ela Não É Assim — e ela não estaria necessariamente errada.

Naturalmente que a nossa suposta feminista não teria lido com o cuidado suficiente aquilo que eu claramente afirmei, que é mais provável que o extermínio físico dos homens venha a ser posto em prática como o resultado de um processo orgânico, começando com uma indiferença hostil, seguido da perseguição ativa mediante burocracias estatais, sem a exigência de que o extermínio seja conscientemente articulado ou defendido por mais do que um pequeno número de feministas. As outras só precisam pactuar com o programa; elas não precisam entender onde tudo isso vai acabar. No coração de tudo isso está a dicotomia entre as Feministas Bem-intencionadas e as Feministas Radicais.

Em face disso, esta distinção parece sugerir que, como feministas gostam de dizer, o feminismo não é monolítico. Em outras palavras, algumas feministas podem ler a partir do “evangelho” de Mary Daly, enquanto outras apenas quererem um negócio justo para as mulheres. Esta é uma versão mais elaborada da NTFSA, mas não explica porque duas ideologias ostensivamente conflitantes são chamadas pelo mesmo nome: feminismo. De fato, afirmar que o feminismo é não-monolítico escamoteia a questão de como todos esses diferentes subfeminismos se relacionam entre si e com todo o feminismo. Será que o feminismo ainda seria feminismo se um de seus subfeminismos fossem removidos? Possivelmente. A morte do ecofeminismo não seria um desastre para o feminismo em geral, ou para qualquer outro subfeminismo em particular. Mas o que aconteceria com os dois principais pilares do feminismo — O Feminismo Radical, que é abertamente misândrico, e o Feminismo Bem-intencionado, cujos adeptos “só querem um negócio justo”? Poderia o feminismo sobreviver à morte de qualquer um deles? Ou será que toda a ideologia deve sua existência à reciprocidade deles? A relação entre eles é inerentemente e intrinsecamente simbiótica? 

Eu continuo a afirmar que as diferenças entre Feministas Bem-intencionadas e Feministas Radicais são superficiais, explicando apenas as diferenças percebidas entre as próprias feministas. A distância intelectual entre os dois tipos de feministas em desacordo, pode parecer, para elas, realmente grande; um Grand Canyon filosófico! Mas para os não-feministas, que estão longe de ambos os tipos, e observam o feminismo à distância, os dois tipos de ideólogas briguentas estão muito próximas umas da outras. Sim, podemos apenas vê-las no horizonte — duas pequenas figuras, berrando de um buraco.

A feminista, tendo automaticamente excluído a legitimidade de qualquer espaço que não seja feminista, percebe o feminismo como se este fosse o mundo inteiro, e sobre este pequeno plano de existência, o intervalo de poucos metros torna-se colossal — grande o suficiente para justificar o desenho de uma linha de giz no chão, e dizer: “esse é o seu espaço, este é o meu, e não gostamos um do outro. Certamente, não somos um monólito!” Mas, para o não-feminista, que não está limitado pela ideologia e, assim, percebe muito mais do mundo em geral, as feministas, à distância, estão de pé quase em cima umas das outras enquanto disputam suas reivindicações por um pequeno pedaço de terra.

Em outras palavras: a distância entre os objetos torna-se mais significativa quanto mais próximo você estiver deles. E caso não se dê atenção para quaisquer coisas que não sejam esses objetos, então, esses objetos parecerão ser o mundo inteiro! E, assim, qualquer distância entre eles vai parecer enorme, porque se faltaria qualquer senso de escala. As feministas não estão em qualquer tipo de posição para saber o quanto elas diferem umas das outras, a partir da perspectiva do mundo não-feminista; elas não podem julgar porque a elas faltam o não-feminismo como pré-requisito.

Assim, quando uma feminista tenta fazer passar a elaborada defesa NTFSA, como apologia para si mesma ou para o comportamento atroz de suas irmãs, você deve lembrá-la de que ela não está em posição de julgar o quanto ela difere de outras feministas! As diferenças percebidas por ela podem parecer muito significativas do próprio ponto de vista subjetivo dela, mas ela precisa entender que ela é uma participante do organismo social chamado feminismo, que ela fala de dentro da “grande tenda”, e, portanto, não tem absolutamente nenhum direito de nos dizer, estando nós do lado de fora, como devemos olhar para a mesma tenda! O mundo não-feminista, é necessário explicar, experimenta a força do feminismo a partir de uma direção em particular, e quando nos voltamos para olhar nessa direção, vemos infalivelmente que a Feminista Bem-intencionada está orgulhosamente, lado a lado, com a Radical.

Agora, eu presumo que tal arranjo que existe entre as Feministas Bem-intencionadas e as Radicais é próprio da necessidade. O feminismo requer tanto a plausível face visível do vendedor (confiável, apenas tentando ganhar a vida honestamente), quanto o impulso, aquele ímpeto interior que mantém liderando todo o show (desonesto, subornando as pessoas no chão de fábrica). Um não poderia existir sem o outro. Se existisse apenas a face visível do Feminismo Bem-intencionado, este não chegaria a lugar nenhum, pois não haveria núcleo fundido de misandria sem um gerador em seu centro para motivar a ação. Por outro lado, se apenas o motor de combustão do Feminismo Radical existisse, o movimento iria dobrar de um dia para o outro, sendo exposto imediatamente como política de ódio. Sem o motor, tudo que você tem é um objeto que parece bom, mas não sai do lugar. Esqueça a pintura, pois ninguém iria querer comprá-lo.

Seja como for, o feminismo precisa ser comercializável se quiser ser bem sucedido — assim a sua comercialização por si só não pode nos dizer nada sobre o que ele é.

Boas intenções e Radicalismo são dois lados da mesma moeda feminista. A dicotomia permite ataques radicais contra os homens, seguidos pela veemente defesa de que o feminismo é uma boa doutrina, ou no mínimo, pela defesa de que ele não é monolítico, e, além disso, de que quem está contra ele “apenas odeia as mulheres”. Os dois lados se encaixam como duas peças de um quebra-cabeça, e a imagem só faz sentido quando elas são combinadas.



Sim, o feminismo é uma entidade única, simples, monolítica nas suas aspirações, apenas apresentando faces diferentes dependendo do contexto. As várias manifestações do feminismo, quer se destinem ao consumo público ou não, têm em comum a constante que elas buscam: aumentar o poder das mulheres. Este é o locus, o centro de gravidade do feminismo — quer ele apareça como uma crença na inata superioridade feminina, quer como uma aspiração à dominação feminina em termos materiais, a realização do poder feminino estará presente de uma forma ou de outra. Sem este epicentro, em torno do qual tudo gira, o movimento não poderia sobreviver; sua implosão repentina iria enviar seus membros a girar fora de órbita em todas as direções diferentes. A única coisa que une as feministas entre si é a crença de que o status da mulher deve ser elevado e que as condições dos homens devem ser relegadas; que as mulheres devem se tornar mais superioras, e os homens, mais inferiores. Fora isso, só existem questões secundárias, argumentos que não têm qualquer relação com a tese principal de supremacia feminina. Estas questões secundárias são uma distração para o resto do mundo, permitindo que o feminismo permaneça intacto e coerente, mesmo quando seus militantes parecem esbarrar em disputas.

Agora, já temos a perfeita noção dos objetivos das Feministas Radicais. Já descrevi os planos que elas têm para os homens e para tudo aquilo que é característico do sexo masculino. As Radicais gostariam que todos os homens fossem exterminados ou escravizados. Elas abertamente têm declarado guerra contra os homens, e o futuro, se elas conseguirem o que querem, pode ser resumido por aquelas fotos abomináveis nas quais aparecia, em seu pequeno uniforme, a soldado Lynndie England, humilhando sexualmente homens nus, usando cães para atacar seus órgãos genitais, e assim por diante. A Feminista Radical sonha com estes abusos, não limitados apenas a uma prisão iraquiana, mas normalizados em todo o mundo. Os vitimados não seriam os iraquianos, como iraquianos, mas os homens, como homens. Muito parecido com aqueles militares que imaginavam que estavam aplicando punição coletiva a membros de uma classe de pessoas coletivamente culpada em Abu Ghraib, Feministas Radicais acreditam no conceito de Culpa Coletiva Masculina, e na necessidade de aplicar punição a todos os homens.

Na mente da Feminista Radical, todos os homens são culpados, inerentemente, como homens. “Todos os homens são estupradores” não é apenas uma relíquia do passado; é o horizonte para o qual o Feminismo Radical está nos empurrando. Com isso, não estou dizendo que todos os homens tornar-se-ão estupradores, mas, sim, que todos os homens serão indiciados como estupradores. Toda punição, então, não importa quão extrema ela for, tornar-se-á justificada contra esta classe de “abusadores hediondos” e “violadores”. (Note que, em uma das fotos da tortura em Abu Ghraib, os soldados escreveram sobre a coxa de um dos seus vitimados “Eu sou um estuprador (sic)” — embora fossem os próprios soldados que executassem os estupros. O paralelo com o Feminismo Radical é assustador).

Nós já conhecemos a respeito das Feministas Radicais, mas e quanto àquelas que “não são assim” — ou seja, as Feministas Bem-intencionadas? É bem verdade que muitas, talvez a maioria, das Feministas Bem-intencionadas não tenham como expectativa um futuro onde os homens sejam escravizados ou exterminados. O papel destas não é o de desapropriar os homens e enfiá-los em prisões, mas o de nos convencer de que não existe uma guerra dos sexos. Mesmo que os homens sejam presos, torturados e assassinados por agentes estatais agindo em nome do feminismo, Feministas Bem-intencionadas vão fingir que não existe nenhuma guerra acontecendo. De fato, a eficácia do projeto feminista depende da percepção equivocada de que uma guerra não está acontecendo. Elas enquadram esta situação desesperadora como algo diferente do que realmente é, como: “o progresso no sentido da igualdade”, a “abertura de diálogos”, a “liberação das pessoas de seus restritivos papéis de gênero”, e assim por diante.

Não. Esta é uma guerra, e é uma guerra que as feministas declararam abertamente. A verdadeira insídia das feministas torna-se mais evidente quando se considera que, depois de terem declarado guerra, passem a exigir que seus combatentes inimigos mostrem-lhes respeito, continuem a protegê-las e venham a prover o seu bem-estar. A hipocrisia em fingir que a guerra não está acontecendo, mesmo com uma sendo travada, é um elemento necessário do estilo de guerra feminista. O cavalheirismo deve ser mantido para que o feminismo possa avançar. O bem-estar das mulheres deve continuar sendo uma prioridade para os homens. Do contrário — se os homens em massa, de repente, tornassem-se cientes da guerra que foi declarada contra eles, eles iriam se organizar e encontrar iniciativas permanentes para se defenderem. Eles iriam buscar remover os privilégios femininos. Não haveria nenhuma garantia de que eles parariam, e uma vez que a paridade tivesse sido restaurada para homens e mulheres, eles poderiam até mesmo continuar a fazer pressão contra as mulheres — é difícil saber o que aconteceria em uma situação dessas!

Uma guerra dos sexos, travada no estilo bélico tradicional, na qual os homens se apresentassem para lutar com os mesmos números das mulheres, sem dúvida, resultaria em vitória masculina, devido à força física e a aptidão para o domínio técnico dos homens. Uma guerra travada no estilo tradicional, então, seria uma estratégia perdedora para as feministas. Elas precisam travar a guerra de uma maneira diferente, o que implica necessariamente a negação ativa de que a guerra está acontecendo. Mas, e quanto à própria linguagem de “guerra de gêneros”? Não foi essa linguagem que nasceu da retórica feminista? Nasceu desta, de fato, mas ela pertence àquele período da história recente antes dos homens estarem dispostos a defender a si próprios. Os homens começaram a fazer frente à misandria em um ponto crítico do desenvolvimento feminista — aquele ponto aonde o ódio explícito chegou a um ápice, e em seguida, rapidamente diminuiu. A “terceira onda” nasceu. Aparentemente uma nova versão do feminismo, onde a única diferença verdadeira entre a terceira e as “ondas” anteriores está no nível de disciplina retórica. Não mais ouvimos falar de uma guerra contra os homens (pelo menos, não das Feministas Bem-intencionadas), e ainda a guerra continua inabalável. E quando os homens reagem à guerra contra eles, como se fosse uma guerra, eles são informados de que o feminismo é apenas uma questão de igualdade, e o ato de lutar contra seus perseguidores os transforma em “misóginos horríveis”.

Após arrasar cidades e culturas inteiras, depois de esmagar inúmeros homens com as esteiras dos seus tanques, o exército feminista é confrontado por um só homem, o qual pega uma pedra e está pronto para jogá-la. Com lágrimas nos olhos, e seu lábio inferior tremendo, a líder do batalhão clama: “pare de ser tão detestável!”

A transição da segunda para a terceira onda não fez do feminismo algo menos hostil ou odioso. Essa mudança foi superficial, uma reformulação retórica — um revestimento de maquiagem sobre a face visível para o consumo público. Enquanto as feministas da segunda onda admitiram abertamente odiar todos os homens, as Feministas Bem-intencionadas dos dias de hoje reconhecem certas categorias de homens que não são merecedores de ódio — conjurando exceções para manter mais facilmente a regra geral. Feministas Bem-intencionadas são menos propensas a dizer “eu odeio os homens”, e são mais propensas a dizer “eu só odeio aqueles homens que são abusivos ou que não agem contra homens abusivos.” Ainda assim, isso são praticamente todos os homens. Os homens que não são nem abusivos nem que atuam contra os homens abusivos são a grande maioria odiada — a regra geral. Claro, existem inúmeras razões pelas quais um homem pode não dedicar seu tempo a participar ativamente contra os homens abusivos — ele pode até não ter esse tempo livre, ao contrário de sua colega feminista típica. Não é preciso explorar as razões pelas quais um homem não se envolveria ativamente contra os homens abusivos. Basta dizer que ele não tem obrigação moral de sê-lo, especialmente porque a guerra foi declarada contra ele, e as próprias pessoas pelas quais ele está sendo chamado a proteger são aquelas que desejam destruí-lo. Torna-se direito feminino puro — privilégio Ginocêntrico — esperar que os homens devam agir como os seus guarda-costas pessoais. E aqueles homens que são atuantes contra as mulheres abusivas não são admirados por suas contribuições para a humanidade, é claro — eles são ainda mais odiados por isso.

Feministas Bem-intencionadas não são necessariamente conscientes de seu papel como negacionistas. Elas não precisam ser. Elas cumprem o papel com a mesma eficácia que quando elas acreditam ser de forma diferente. Pode-se pensar, então, que as Feministas Bem-intencionadas têm sido mal orientadas, manipuladas mesmo, pelas Radicais. Mas tenha em mente que elas são apenas tão bem-intencionadas quanto são feministas. Sim, elas ainda são feministas, e não foram “aliciadas” para essa identidade. Trata-se de uma identidade escolhida livremente. A Feminista Bem-intencionada, lembre-se, encontra-se lado a lado com a Radical; a primeira também irá Kafka-manipular você, ela irá acusá-lo falsamente, ela irá pichar o seu sexo de um modo geral. A diferença entre Feministas Bem-intencionadas e Feministas Radicais pode ser resumida da seguinte forma: enquanto a Radical incentiva abertamente e celebra a propagação da misandria, a Feminista Bem-intencionada a banaliza, desculpa-a e a justifica. Para além disso, não há nenhuma diferença, e ambas procuram aumentar o poder das mulheres sobre o dos homens.

Sem a falsa aparência de razoabilidade da Feminista Bem-intencionada, o feminismo não teria feito nenhum progresso. Como contrafeministas, temos de reconhecer que o aspecto de razoabilidade de qualquer pessoa que se identifica como “feminista” é um ardil. Por trás da fachada está a motivação ideológica, e não a capacidade de entrar num consenso; está o desejo de dominar a discussão, não o de encontrar soluções coletivas; está o emocionalismo antimasculino, e não a racionalidade imparcial. Um típico estratagema da Feminista Bem-intencionada é o de bradar “tente ver as coisas do meu ponto de vista” — insinuando imparcialidade, neutralidade, objetividade, e assim por diante. E, no entanto, ela não tem a menor intenção de tentar ver as coisas do seu ponto de vista, porque você não é um feminista, e as perspectivas não-feministas seriam, por definição, ilegítimas. O que ela quer dizer não é “vamos ambos tentar ver as coisas a partir das perspectivas de cada um”, mas, “eu vou ver as coisas da minha perspectiva, você veja as coisas da minha perspectiva também.”

Feministas Bem-intencionadas exercem uma forma de controle que as Radicais não podem, porque as últimas abandonaram qualquer pretensão de imparcialidade. Para as Feministas Bem-intencionadas, isso é apenas um pretexto, porque a ideologia supera tudo. Somente um “compromisso” que adira totalmente à doutrina feminista pode ser aceitável.



É claro, certas Feministas Bem-intencionadas vão mais longe do que isso, e sugerem que elas já incorporaram as perspectivas dos homens em seu programa: “o feminismo ajuda os homens também!” Uma aposta justa é a de que você nunca vai ouvir as Radicais proferindo tal absurdo, porque prejudicar os homens é a sua intenção consciente e elas são francas em relação a isso. Ainda assim, as Feministas Bem-intencionadas podem realmente acreditar que esta é uma declaração precisa, pois elas não são necessariamente conscientes dos efeitos nocivos que o feminismo necessariamente exerce sobre os homens. Mas isso não as torna sinceras. Uma abordagem sincera para “ajudar os homens também” envolveria, na verdade, perguntar aos homens como eles poderiam ser mais bem ajudados, e, em seguida, incorporar essas respostas na ordem do dia. Em vez disso, a prática da Feminista Bem-intencionada envolve em dizer aos homens aquilo que irá ajudá-los, sem que entenda necessário angariar mais do que um punhado de desocupados homens pró-feministas.

A idéia feminista de “ajuda” está enraizada na “Teoria do Patriarcado” — ou seja, ela está enraizada na mesma animosidade para com os homens, a qual é a causa dos problemas que um considerável número de homens realmente identifica como problemas. Dito de outra forma, a cura é apenas mais da doença. Dado que as feministas, fundamentalmente não podem aceitar a culpa de seu próprio movimento em causar ou contribuir para alguma coisa negativa, elas sempre só poderão localizar a causa dos problemas dos homens em fenômenos sociais que não no feminismo. O feminismo não vai aceitar nem mesmo a menor parcela de culpa para as condições opressivas que ele trouxe diretamente à existência. Os problemas dos homens só poderiam ser remontados aos próprios homens, e, portanto, ao “Patriarcado” histórico.

É por essa razão que, quando Feministas Bem-intencionadas afirmam que o feminismo “ajuda os homens também”, você não as vê, pois, fazendo lobby contra falsas acusações de estupro ou por direitos iguais à paternidade. Pelo contrário, esse tipo de lobby prejudicaria os interesses feministas; homens são de interesse secundário, e só podem ser ajudados a partir daqueles problemas que eles causaram para eles mesmos. Por isso, a “terrível tragédia” dos homens não estarem autorizados a usar vestidos, mesmo enquanto as mulheres podem caminhar confortavelmente de calças, é infalivelmente a prioridade número um de uma Feminista Bem-intencionada que se propõe a “ajudar os homens também.” O fato de a esmagadora maioria dos homens não se preocupar com essa questão e não ser pessoalmente afetada por ela, torna-se irrelevante; essa questão pode ser remontada a uma marca do Patriarcado, e também é uma boa desculpa para promover a emasculação. Feministas Bem-intencionadas, assim como as Radicais, patologizam a masculinidade normal. Elas culpam os homens por estes não quererem usar vestidos; ou seja, elas culpam os homens por eles não terem os problemas que elas nos dizem que devemos ter. É, assim dizem elas, o condicionamento social imposto pelos homens que os faz ter “medo” de parecer femininos. Todas as evidências sugerem que a grande maioria dos homens tem problemas maiores do que esse, e não vivem com medo de parecer femininos. Mas isso é o que se encaixa na narrativa feminista.

A noção de que o feminismo está a ajudar a “libertar ambos os sexos dos rígidos papéis de gênero” é particularmente risível, considerando que o feminismo é totalmente dependente de homens que estão sendo forçados a manter seu papel tradicional de protetor e provedor. Isso já foi abordado em outro lugar.

Quando os homens tentam levantar suas próprias preocupações, as feministas recusam-se a reconhecê-las. Elas culpam os vitimados — por exemplo, “os homens são responsáveis por seus próprios problemas” — e tentam trazer a discussão de volta para aquilo que elas acham que devem ser os nossos problemas. Com efeito, aos homens lhes é negado o direito de decidir quais são os seus próprios problemas. O nosso verdadeiro problema, Feministas Bem-intencionadas empenhadamente explicam, é que somos apenas masculinos demais. Apesar do que por nós é declarado como são os nossos problemas — que as propriedades características do sexo masculino estão cada vez mais cerceadas, que as propriedades características do sexo masculino vêm sendo patologizadas, tornaram-se motivo de discriminação aceitável — a resposta feminista é que as propriedades características do sexo masculino são, na verdade, patológicas e que precisam ser cerceadas ainda mais.

Como é que o feminismo “ajuda os homens”, imputando atributos negativos às propriedades características do sexo masculino? Diga-me, alguém está sendo ajudado por outros que o imputam atributos negativos a esse alguém? Ou você diria que isso o prejudica? O feminismo “ajuda os homens”, incentivando-os a deixar de ser homens; a renunciar à sua natureza; a odiar a si mesmos; a acreditar que a sua sexualidade é inerentemente viciada e uma força para o mal! Que ajuda é essa?

Aqui está uma divertida pequena justaposição:

“Tudo se resume a isso: Os homens, não as mulheres, precisam ser os únicos a criar os espaços para discutir as questões dos homens.” 
Citação do blog finallyfeminism101


(Vídeo: Feministas Tumultuando um Fórum sobre Maridos Vitimados por Violência Doméstica) 

Pegou o espírito da coisa? É um jogo que os organismos encarregados da aplicação da lei vêm desempenhando há décadas. O “bom policial” é razoável, até mesmo simpático, embora, naturalmente, ele insista que a responsabilidade pelo seu crime repousa inteiramente em você. O “mau policial” só irá gritar com você até você se entregar. E quando você finalmente desistir, porque você foi subjugado, você murmurará suas queixas, e os bons policiais, como os do finallyfeminism101, irão lembrá-lo daquilo que dizem o tempo todo: que você precisa ser o único a assumir a responsabilidade para discutir suas próprias questões. Você vê como isso funciona? Não é culpa deles. É sua.

Sim, as Feministas Bem-intencionadas têm apoiado propostas radicais em cada etapa do processo — quer se trate de negar direitos de paternidade aos homens, quer se trate de criar leis de proteção contra o estupro para negar evidências de inocência, e prender, de forma mais eficiente, homens inocentes, quer se trate de desviar medidas de incentivo dos homens atingidos pela recessão para as mulheres que nem sequer perderam seus empregos. O único nível em que Feministas Bem-intencionadas discordam significativamente das Radicais é o da retórica. Uma Radical pode dizer “matem todos os homens”, e uma Feminista Bem-intencionada pode dizer: “Eu não concordo com isso”, mas ela segue adiante e defende que a diferença nos programas de saúde deve ser aumentada ainda mais, mesmo com o pleno conhecimento de que os homens continuam morrendo mais cedo e sofrendo mais com problemas de saúde de uma maneira geral.

Feministas Bem-intencionadas distanciam-se da retórica extremista das Radicais, mas isso é apenas a forma como a dialética funciona — atinge-se o objetivo lentamente, pouco a pouco, levando o outro lado a se comprometer com a sua ala moderada. Feministas Bem-intencionadas são os bons policiais — aqueles com os quais se deseja chegar a um acordo antes daqueles desagradáveis maus policiais voltarem. O que é muitas vezes esquecido é que todos eles são policiais. Firme o compromisso com as moderadas Feministas Bem-intencionadas a respeito de uma determinada questão, e a posição centrista muda: agora o acordo que se chegou é dado como certo, e a fantasia radical está um passo mais próximo. O que as Feministas Bem-intencionadas fazem, então? Descansam sobre os louros conquistados, contentes com o meio-termo ao qual chegaram? Não, elas vêem a oportunidade de conquistar ainda mais para as mulheres, e por isso elas lutam por mais. Chega-se a um novo compromisso, e a posição centrista desloca-se ainda mais em direção ao radicalismo.

Felizmente, eu conheço uma maneira de quebrar a dialética, a qual é plantar seus pés firmemente no chão e se recusar a ceder um só milímetro. Não transigir, absolutamente, em nenhum problema. É simples assim. Basta ter em mente que por trás da aparência de razoabilidade está a motivação ideológica, a qual fará aproximar a realidade da fantasia radical pela qual você está ativamente perseguido. Se você puder manter isso em mente, torna-se muito fácil de recusar até mesmo o menor compromisso com uma feminista.

Por fim, as feministas devem ser ignoradas. Não adianta tentar debater com elas, pois sua motivação ideológica supera a possibilidade de admitir incorreção. Lembre-se de que a ideologia feminista é adotada a fim de saciar emoções violentas e vingativas, não como um resultado do pensamento lógico. Aqueles em que devemos fazer um esforço em atrair são os não-feministas, mas eles não são contrafeministas. Ou seja, eles ainda não estão ativos na luta contra o feminismo. É possível dividir as pessoas em três categorias conforme a seguir:
  • Revolucionários (contrafeministas)
  • Reacionários (feministas)
  • Civis (não-feministas)
O objetivo, então, é recrutar civis para o lado contrafeminista antes que a facção feminista chegue a fazê-lo. Dado o rápido e exponencial crescimento do Movimento pelos Direitos dos Homens, estamos claramente já desfrutando o sucesso a este respeito.

Adam

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KOSTAKIS, Adam. Como Quebrar uma Dialética [How to Break a Dialectic] [em linha]. Tradução de Charlton Heslich Hauer. [S.l.]: Gynocentrism Theory, 2011. Disponível em: <http://gynotheory.blogspot.com/2011/03/how-to-break-dialectic.html>. Acesso em: 05 out. 2015.


Atualizada e revisada em 05 out. 2015. às 19:50h.