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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Gaia — parte 1

por Angry Harry

Dos 13 aos 28 anos de idade, por uma razão ou por outra, encontrei-me permanentemente envolvido com o estudo da Biologia. Foi sempre relevante de alguma forma para minha prospectiva carreira ou para minha formação.

E uma das minhas primeiras manifestações de verdadeiro gênio — que, certamente, me colocou em pé de igualdade com Darwin — foi quando me dei conta, depois de apenas 15 anos de estudo, que simplesmente todos os seres vivos eram compostos de células.

Sim. É verdade!

Células, células, células.

Se você é uma cobra venenosa, um fungo viscoso, um verme miserável, ou uma feminista emocionalmente deficiente, você será composto(a) de células.


A vida, ao que parece, não importa quão feia ela seja, é constituída por células!

No início, a vida consistia de organismos que foram constituídos de células isoladas. E alguns desses pequenos seres unicelulares, como a ameba e o paramécio, viviam mais felizes nas águas; vagando, aqui e ali, comendo, excretando, sentindo e se reproduzindo.

E então, graças à seleção natural — ou a Deus, alguns dizem — algumas células começaram a cooperar umas com as outras, ficando unidas.

Ao fazerem isso, elas perderam um pouco de sua individualidade, mas o preço valeu a pena, porque elas passaram a viver por mais tempo! — Sim, aproximadamente isso.

E com o passar do tempo, e os diferentes organismos passaram a competir entre si, e lutarem para sobreviver em face das várias adversidades ambientais, os organismos cresceram mais e mais complexos, e eles acabaram sendo compostos por milhões e milhões de células, todas unidas de várias maneiras, de modo que, um dia, estes organismos pluricelulares cresceram em estruturas extremamente complexas.

Bem, é exatamente assim como empresas, corporações e governos crescem.

suas “células” são cada indivíduo que trabalha para eles.

E suas “células” são cada indivíduo que trabalha para eles.

E, assim como células individuais, esses indivíduos “grudados”, deram as suas individualidades para que seus empreendimentos coletivos (seja ele uma empresa, uma corporação ou um governo) vivessem mais tempo! — Sim, aproximadamente isso.

E com o passar do tempo, e as várias empresas passaram a competir entre si, e lutaram para sobreviver em face das várias adversidades ambientais, as empresas cresceram mais e mais complexas, e elas acabaram sendo compostas por milhares e milhares de pessoas, todas unidas de diversas formas, de modo que, um dia, estas empresas com muitos funcionários cresceram extremamente em estruturas complexas — corporações, indústrias, empresas e governos.

E é este paralelo entre organismos pluricelulares biológicos e empresas multipovoadas que eu gostaria de abordar.

Da mesma forma que as células desistiram de sua identidade — e de suas liberdades individuais — para o bem do grandioso organismo pluricelular do qual elas são parte, por isso é que as pessoas abandonam suas individualidades — e suas liberdades individuais — por causa de grandiosas empresas multipovoadas da qual fazem parte.

E, da mesma forma que, em organismos biológicos complexos, células se diferenciam a fim de gerar vários tecidos e órgãos, por isso é que no interior das empresas, grupos complexos de indivíduos se diferenciam de modo a gerar vários departamentos e secções.

Bem, eu não vou aborrecer os meus leitores por entrar em grandes detalhes sobre como é que as complexas empresas se espelham tão profundamente com a biologia dos organismos complexos, mas é realmente incrível como semelhantes os dois parecem ser!

No entanto, existem alguns pontos concernentes às suas semelhanças que definitivamente merecem ser examinadas em se tratando de pensar sobre questões políticas.

1. Cada uma das células que compõem o meu exuberante corpo não tem ideia do que eu mesmo sou.

A mínima ideia.

Se você perguntasse a uma das minhas células hepáticas o que eu tinha para o jantar há poucos minutos, ela, absolutamente, não teria nenhuma ideia.

De fato, mesmo se você questionasse a uma das minhas células cerebrais sobre os meus pensamentos de momento, ela não teria a mínima ideia.

Cada uma das células que compõem a mim não tem ideia do que estou fazendo

Cada uma das células que compõem a mim não tem ideia do que estou fazendo, sobre o que estou pensando, sobre o que estou querendo fazer, sobre onde eu vou, ou mesmo sobre o que eu sou.

Elas são completamente sem noção!

Na verdade, elas são tão ignorantes, que estão a um zilhão de milhas de entenderem algo sobre mim.

Elas simplesmente não têm a capacidade.

É isso mesmo.

Praticamente, o mesmo se aplica para cada pessoa que, juntas, compõem uma grande empresa.

Elas não têm uma real ideia do que essa empresa está fazendo. Elas podem até achar que têm alguma ideia, mas não têm!

Bem. OK. OK. A maioria das grandes empresas não é composta de bilhões de pessoas, enquanto eu, é claro, sou feito de bilhões de células.

Mas, você sacou.

Quanto maior a empresa, e quanto mais complexa ela se torna, menos cada pessoa sabe alguma coisa sobre ela.

E ela ainda tem uma “vida”, e luta para competir com outras empresas para sobreviver — o que muitas vezes implica numa propensão a crescer!

2. Quase todas as minhas células estão sendo substituídas à medida que se desgastam, envelhecem e morrem.

Sem problema.

Meu corpo tem um sistema que permite substituir essas células com belíssimas alternativas.

Novas células!

E algumas células são realmente muito dispensáveis.

Por exemplo, se eu não estou fatalmente ferido, provavelmente outras células irão fazer a coisa certa para criar novas células de reposição. E se para determinados fins eu felizmente secreto e perco células através de meus vários orifícios, meu corpo vai simplesmente criar mais delas para repor o estoque.

Veja você. Desde que eu não perca células demais, e assim eu mantenha minha força, eu sempre posso substituí-las.

Cada uma das células, em si, é, mais ou menos, dispensável.

Bem, o mesmo acontece com empresas.

As pessoas que a compõem acabarão por se desgastar, envelhecer e morrer

As pessoas que a compõem acabarão por se desgastar, envelhecer e morrer, mas elas (as empresas) têm sistemas em que elas podem substituir essas pessoas com alternativas muito boas.

Novas pessoas!

Além disso, essas empresas — esses “organismos” — são um pouco mais hábeis em substituir células e estruturas que são perdidas por elas do que é o meu corpo.

Por exemplo, se eu perder um dedo do pé mesmo, ele se foi para sempre. Mas para uma empresa, o equivalente a substituição de um humilde dedo do pé é um pedaço de bolo.

De fato, e por exemplo, você pode até mesmo disparar contra o presidente e todos os seus companheiros e mesmo assim a empresa de “governo” iria sobreviver.

Uma empresa é muito mais robusta, em muitos aspectos, do que eu.

3. Em geral, no conjunto, e principalmente, o meu corpo tende a operar sobre questões externas a mim sobre a base de atividade dentro do meu cérebro. São as células do meu cérebro que governam o modo como meu corpo lida com o seu ambiente externo.

Além disso, essas células do cérebro não estão particularmente preocupadas com as situações que ocorrem dentro do meu corpo — o meu ambiente interno. Tais situações são mais tratadas por sistemas e procedimentos que funcionam bastante automaticamente, e independentemente de minhas células cerebrais — mais ou menos isso.

Por exemplo, as células do meu cérebro podem ordenar-me a fazer exercício na academia para desenvolver ainda mais a beleza do meu corpo a longo prazo, elas podem ordenar-me para comer ou beber, e elas podem ordenar-me a levantar meu braço para me defender de golpes.

Mas, em resumo, as células do meu cérebro simplesmente governam a maneira pela qual a totalidade do meu corpo vai se envolver com o ambiente que é externo a ele, e elas irão fazê-lo, a fim de avançar os meus estados atual e futuro de bem-estar.

Nas empresas, é, talvez, o conselho de administração, os ministros, os generais ou os congressistas que são, efetivamente, as células do cérebro que controlam a direção geral de seus próprios “organismos”, seja lá o que mais possa vir a ser — por exemplo, os negócios, o exército, o governo.

E, um pouco parecidas com as células cerebrais, essas pessoas hierarquicamente superioras continuam fazendo o que costumam fazer e — conscientemente ou não — conspiram em conjunto para servir aos organismos das quais fazem parte — por exemplo, as empresas, o exército, o governo.

Essas células não têm consciência dos comandos do super-ser,

Em resumo, um organismo biológico complexo é constituído por milhões ou por bilhões de células. Estas pequenas células se unem de tal maneira que elas sacrificam a sua individualidade para criar um organismo totalmente novo que “tem uma vida própria”. Este “super-ser” se escora em torno da interação com o ambiente, desonestamente, para competir com sucesso com os outros, e para sobreviver. Além disso, este super-ser é completamente ininteligível para as células do qual ele é composto. Essas células não têm consciência dos comandos do super-ser, das suas motivações, suas inclinações, ou mesmo de sua existência. Elas são completamente cegas para isso.

E as empresas são um pouco assim.

E, quanto maiores elas ficam, mais elas se tornam assim.

Elas assumem uma “vida própria” que é cada vez mais incompreensível para as pessoas que se unem para torná-las grandiosas (as empresas).

O caixa que trabalha na estrada no posto de gasolina Texaco não tem ideia de quantos são os acionistas da companhia petrolífera a qual ele serve, não faz ideia de quem são os seus chefes, nenhuma ideia de para onde a empresa está indo, a mínima ideia de onde a companhia está fazendo perfurações atualmente, e assim por diante, e assim por diante.

Além do mais, os acionistas, os patrões, os perfuradores de petróleo etc. não têm real ideia sobre aquele caixa!

Complexos organismos biológicos e complexas empresas, ambos são constituídos por componentes relativamente simples que se juntam para criar algo que é muito diferente de si mesmos, que é muito superior quando comparado com eles próprios, que é extremamente alienado dos primeiros, e que é, de fato, muito independente deles.

E, além disso, os simples componentes (células ou pessoas) nem sequer percebem que os organismos dos quais eles são uma parte, realmente existem!

Em outras palavras, você (como pessoa) realmente não pode valorizar enormes organismos que flutuam em torno do mesmo lugar que você poderia muito bem ser uma parte deles.

Sim. Sim. Muito bom Angry Harry. Estou com sono. Posso ir para cama agora? Você está me entediando. Qual é o sentido de tudo isso?

Bem, o negócio é o seguinte.

Se você visualizar uma corporação, um governo, e até mesmo uma ideologia, como um “organismo” — um organismo que real e verdadeiramente “tem uma vida própria”, e que quer sobreviver e crescer em face da concorrência — então você está melhor preparado para compreender a natureza da besta política — o feminismo, talvez — que você pode estar tentando matar.

E se eu estiver com humor adequado ao longo dos próximos dias, eu poderei, no meu próximo texto, fazer o sacrifício de explicar como isso acontece.

Do contrário, é claro, não poderia!





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Meu comentário: Esta é a introdução de uma fantástica série de um total de quatro textos feitos pelo nosso amigo do Reino Unido, ativista em favor dos direitos dos homens  — Angry Harry. Eu não vou adiantar o é que vem por aí nos próximos posts, mas, sem dúvida vai nos dar um grande ânimo para continuar com a nossa luta.


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