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sábado, 12 de maio de 2012

Refutando o Apelo ao Dicionário

Vamos ao 3º artigo sobre a Teoria do Ginocentrismo.

Clique a seguir para ler o 1º artigo: Olhando Fixamente para fora do Abismo
Clique a seguir para ler o 2º artigo: A Mesma História Repetida



Leitura Nº 3

“Alguma vez você já olhou, realmente, a palavra feminista em um dicionário? Significa: igualdade entre os sexos. Não se trata de odiar os homens. Isto é muito simples e você saberia, se realmente tivesse olhado” – Diva

Na seqüência do artigo anterior, sobre a visão geral do Ginocentrismo do passado e atual, eu proponho haver um ponto comum de culto às mulheres, passando por, e ligando, concepções tradicionais de masculinidade — historicamente expressas naquilo que poderíamos chamar de “patriarcado” — e o feminismo, o qual se apoderou do Estado e de instituições supranacionais, e está prestes a desencadear a perseguição explícita aos homens.

Isso pode, muito bem, levar a muito mais artigos até ser completamente elucidado, mas eu o menciono aqui por dois motivos. O primeiro é um lembrete de que a referência a esse ponto comum, passa por todas estas reflexões: que o Ginocentrismo tem estado conosco há muito, muito tempo, e só mudou a sua forma, e não seu conteúdo. Este é o cerne da Teoria do Ginocentrismo, e essa é a perspectiva a qual eu assumo uma ampla gama de assuntos.

O segundo é transferir a discussão para o feminismo. Existe o perigo de se ler na Teoria do Ginocentrismo, uma minimização dos efeitos do feminismo, considerando que este é apenas a versão mais moderna de um fenômeno que tem séculos de idade. Por outro lado, ele [o feminismo] é a forma mais ativa de Ginocentrismo que devemos tratar atualmente; é o inimigo, e como a este respeito “todos cantam e todos dançam o tremendo ato final”1, ele é um fenômeno digno de estudo a sua própria consideração.


Melhor o diabo que você conhece! Dizem que é melhor conhecer o teu inimigo, mas as feministas são altamente eficazes em obscurecer suas próprias intenções, ações, história e sua propensão para o uso da erística. Em meio a fumaça e espelhos, um coro de vozes estridentes vindo de todas as direções pode ser ouvido proclamando: “não é o nosso trabalho elucidar pra vocês sobre o que seja o feminismo!”

Bem — então teremos de procurar desejosamente por nós mesmos, escavarmos pérolas do conhecimento, e alcançarmos com esforço nossos próprios juízos sobre o que o feminismo é. E já que as próprias feministas têm repudiado o papel delas em nos explicar, as conclusões a que chegaremos não deveriam resultar em nenhuma sanção por parte delas. Se não é trabalho delas explicar para nós o que é o feminismo, então essa tarefa não poderia ser de quaisquer outros a não ser de nós mesmos, poderia? No entanto, estranhamente, quando nós mesmos buscamos o significado, feministas se opõem veementemente aos nossos achados, como se elas cobiçassem de fato o papel de educadoras depois de tudo. Elas têm repetidamente sugerido que deveríamos ver isso no dicionário.

Este é um pedido ilegítimo, até porque não existe “o dicionário”. Existem, sim, dicionários (no plural). O apelo ao dicionário é aquele que é feito por pessoas que, para falar francamente, não são muito brilhantes. Tais pessoas aparentemente acreditam que a língua é um conjunto finito de palavras, cada uma com uma única definição objetiva, e que o árbitro final é O Dicionário.

No mundo real, a linguagem é sempre variável e corruptível. É uma coleção de significados, designados por termos (ou vocábulos) — mas, em larga medida, estes são configurados e determinados pelos caprichos do tempo e do lugar! E, muito frequentemente, as pessoas discordam sobre como os termos são, ou deveriam ser, designados em significados — e como os significados são, ou deveriam ser, designados em termos.

A própria existência da contestada terminologia, então, parece refutar o Apelo ao Dicionário. Em caso de litígio sobre a definição ou uso de um termo, esta é uma indicação de que temos vários significados (ou idéias, ou conceitos, se você preferir), amontoados sob uma mesma palavra genérica. Colocando isso de outra forma: existem várias coisas, mas todas elas são designadas pela mesma palavra. Uma determinada configuração de termos para os significados podem beneficiar determinadas pessoas, e ser de prejuízo para algumas outras!

Vamos dar um exemplo — muitas vezes, a alegação de que o feminismo encoraja as mulheres a fazer falsas denúncias de estupro, tem sido contestada por uma referência recorrente de que o feminismo defende a igualdade entre os sexos. “Feminismo”, uma feminista diria, “fala sobre igualdade entre os sexos, e nada mais.”

E ainda, as falsas denúncias de estupro continuam existindo — com a cumplicidade feminista no que elas mesmas construíram. Essa questão tem sido carente de reconhecimento na língua. A feminista tem obscurecido habilmente a cumplicidade do feminismo na fabricação de falsas alegações de estupro, branqueando a ideologia como se esta fosse algo que apenas falasse “sobre igualdade sexual, e nada mais.” Se aceitarmos o argumento dela de que o feminismo só se refere à defesa da igualdade entre os sexos, então já não teremos condições que nos permitam discutir ou analisar as falsas denúncias de estupro, além de visualizá-las como uma série de incidentes não relacionados. Certamente, não seríamos mais capazes de considerar as falsas denúncias em seu próprio contexto, do qual está como parte de um sistema de controle e perseguição. O fenômeno da denúncia falsa de estupro definitivamente não é explicável pelo que entendemos quando falamos em “igualdade entre os sexos”, e já que o feminismo não seria nada mais do que aquilo, ficamos sem recursos linguísticos com os quais, significativamente, poderíamos falar sobre o assunto; temos sido pressionados a ficar mudos. Em suma, temos uma coisa existente, mas que não é designada por quaisquer palavras. Como, então, poderíamos chamar a atenção, criticar, se opor a isso?

Vejamos outro exemplo. Uma feminista pode muito bem criar uma partição falsa no problema dos Direitos dos Pais, definindo-o de tal forma que a culpabilidade feminista seja ignorada. Ela poderia, por exemplo, dizer que “o patriarcado é o culpado pelo tratamento desigual dado aos pais.” E mais uma vez, ela teria controlado a linguagem — os significados são divididos entre os termos, ou eles são compactados em apenas um, e o resultado pretendido é que a parte culpada não seja responsabilizada pelo que faz.

Agora, você pode pensar – “O que isso importa? Uma feminista pode dizer isso ou aquilo, mas eu não acredito nela; minhas próprias experiências me dizem que aquilo que ela diz não é verdadeiro, e eu dificilmente serei enganado pelo o que ela diz.”

Bom, está tudo muito bem. Mas há um monte de gente por aí afora que vai ser enganada por aquilo que ela diz — incluindo aquelas pessoas que possuem o poder físico real para encarcerá-lo, destruí-lo ou afastá-lo de seus entes queridos. As feministas não estão apenas dizendo isso a pessoas como você e como eu — seus absurdos jorram em todas as direções, como petróleo bruto a partir de um ducto estourado, fluindo para os ouvidos de todas as pessoas, e, especialmente, para aquelas que podem “fazer algo a respeito”. A mensagem é concretizada, mais forte do que uma cachoeira, queira você ouvi-la ou não,  e todo o projeto delas depende da repetição incansável de uma dúzia ou mais de mantras, e o investimento de suas opiniões para dentro do inconsciente coletivo. É por isso que elas tagarelam incansavelmente, normalmente papagueando frases feitas, como células subordinadas em uma mente-colméia2! Elas fazem isso porque funciona — pelo menos, até que alguém se levante e aponte que “o Imperador está nu”3.

E então, o mundo desaba!



Foi necessário falar longamente sobre esse ponto, porque temos de perceber que a linguagem política nunca é neutra, e as consequências estão sempre escondidas na configuração de idéias e termos. O papel de Defensores dos Direitos dos Homens é avaliar criticamente o uso da linguagem feminista, a fim de determinar onde estaríamos em melhores condições de separar várias idéias que são referidas a um termo, ou para compactar vários termos em um só. Nós nunca devemos responder a um argumento feminista sem primeiro olhar criticamente os termos por meio dos quais está sendo conduzido. Para colocá-la em “Gamespeak”4, nós devemos “controlar o quadro!”

O Apelo ao Dicionário pode ser sumariamente descartado. Dicionários oficiais representam as posições do sistema estabelecido. O feminismo, como está em voga, é oficialmente definido da forma que seus adeptos gostariam que o mundo visse o feminismo; não é definido de uma forma que descreve, ou representa, a totalidade do plano. Aquilo que aconteceu, ou ainda acontece, mas não reflete a visão do sistema, é simplesmente ignorado. Definir o feminismo como

a defesa dos direitos das mulheres em razão da igualdade política, social e econômica com os homens

é deixar de lado grande parte da sua história desagradável — e privar os céticos, dos recursos para uma extraoficial análise linguística e histórica do termo. Esta revisão antiga da página “Feminismo e Igualdade” da Wikipedia, contém muito material que contesta em preto-e-branco a definição do dicionário, embora a própria página foi vítima das mesmas forças que procuram estabelecer limites para as alternativas linguísticas de seus críticos. Felizmente, as versões antigas dos artigos da Wikipedia ficam arquivados, por isso os esforços de um Nick Levinson em expor de maneira explícita o teor de várias famosas obras feministas não foram em vão. Vamos lá!

Jill Johnston, em Nação Lésbica, convidava os homens a eliminar as qualidades que possuem enquanto homens. “O homem é algo completamente não relacionado com a natureza. Natureza é a mulher. O homem é o intruso. O homem que ressintoniza-se com a natureza é o homem que desmasculiniza-se ou elimina-se como homem [...] Um pequeno, mas significativo número de mulheres enfurecidas e aficcionadas na história, compreendem a revolução das mulheres no sentido visionário de um fim à catastrófica irmandade e um retorno à antiga glória e a sábia equanimidade dos matriarcados.”
Mary Daly, em “Gino/Ecologia”, escreveu em favor da reversão do poder entre os gêneros [...] “Como uma cristalização criativa do movimento para além do estado de Paralisia Patriarcal, este livro é um ato de Desapropriação; e assim, em um sentido para além dos limites do rótulo antimasculino, isso é absolutamente Antiandrocrático, In-crivelmente Antimasculino, Furiosamente e Finalmente feminino.”
“As mulheres precisam de terra e um exército...; ou um governo feminista no exílio? Ou mais simples: a cama pertence à mulher; a casa pertence à mulher; qualquer terra pertence à mulher; se um parente homem é violento, ele é retirado do local onde é ela que tem o direito superior e inviolável, ele é detido, com liberdade condicional negada, e processado... Poderiam as mulheres definirem um preço elevado ao nosso sangue”?Andrea Dworkin
Phyllis Chesler, em “Mulheres e Loucura”, baseava-se na história matriarcal, mitologia das amazonas, e na psicologia e, com alguma ambivalência, na confiança apenas na biologia como uma justificação, argumentava que uma guerra entre os sexos tem sempre estado em curso e que as mulheres se beneficiariam do uso de seus plenos poderes para serem as detentoras exclusivas do poder político para produzir uma sociedade desigual na qual os homens viveriam, mas seriam relativamente fracos, mesmo que tal sociedade não fosse mais justa do que um patriarcado, e convidar as mulheres feministas a dominar as instituições públicas em favor dos seus próprios interesses. “A sociedade das amazonas, como mitologia, história e pesadelo universal masculino, representa uma cultura em que as mulheres reinam culturalmente de forma suprema por causa do gênero delas [...] Na sociedade das amazonas, apenas os homens, quando eles eram autorizados a permanecer, foram, em muitos graus diferentes, impotentes e oprimidos [...] Se as mulheres levam seus corpos a sério — e idealmente nós deveríamos — assim, a sua plena expressão, em termos de prazer, maternidade, e força física, parece sair-se melhor quando as mulheres controlam os meios de produção e reprodução. Deste ponto de vista, isso simplesmente não é do interesse das mulheres apoiar o patriarcado ou até mesmo uma lendária ‘igualdade’ com os homens.”
Uma organização que foi nomeada “As feministas” estava interessada no matriarcado. Dois membros queriam “a restauração do governo feminino”. 
 

A menos que a organização e os livros acima mencionados realmente não existam, somos forçados a concluir que o feminismo não fala apenas da defesa dos direitos das mulheres com base na igualdade com os homens. No mínimo, o que devemos dizer é que algumas feministas podem ter apoiado a igualdade, enquanto outras feministas têm negligenciado a igualdade e têm abertamente apoiado a superioridade feminina. E nem pode o último grupo ser reduzido a um punhado de lunáticas marginais. Como Nick Levinson aponta (e para grande desgosto das feministas moderadas), foram vendidas dois e meio milhões de cópias de Mulheres e loucura, de Phyllis Chesler.

Isso é puro ódio.

E um monte de energia é gasta ativamente para varrer esse tipo de coisa para debaixo do tapete por aqueles que percebem o quão prejudicial pode ser para o seu caso. As feministas modernas são muito mais retoricamente disciplinadas do que as suas francas antepassadas, e concluíram que os planos impopulares não são apoiados em massa se discutidos abertamente. A disciplina retórica acrescenta uma nova camada de subterfúgio para tudo o que foi dito a respeito da designação de termos para idéias. Não bastará apenas olhar para o que elas dizem, devemos vigiar cuidadosamente o que elas fazem. Não têm algumas das recomendações acima se cumprido pelas ações das feministas? Não é a mesma situação na qual os parentes do sexo masculino acusados de violência são removidos de seu lar onde a mulher tem o direito superior e inviolável, como Andrea Dworkin esperava? Não tem as mulheres dominado as instituições públicas para seus próprios benefícios, como Phyllis Chesler defendia? Como a Teoria do Ginocentrismo nos diz, as mulheres já tinham um “alto preço em seu sangue” — muito maior que o dos homens, em quase todas as épocas da história. Este simples fato é a razão pela qual foi possível para as prescrições de feministas radicais serem alcançadas em primeiro lugar — e para os dissidentes terem sido tão facilmente marginalizados.

Ainda assim, os tempos mudam. Os sistemas são derrubados, e as palavras são oficialmente redefinidas. Se a nova definição de uma palavra demonstra ser mais precisa, então ela deve ter existido há muito tempo, extraoficialmente, antes da revisão da palavra. Às vezes, os sistemas devem mudar antes que os termos se padronizem. O dicionário está aquém da definição, porque o sistema está atolado em lama. Eu prevejo que, à medida que alcançamos uma massa crítica contra o feminismo, e pouco antes de seu colapso, é bem possível que vejamos algumas concessões na forma de definições alternativas do termo virem a se tornar aceitas.

Adam

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Notas do Tradutor:
[1] Aspas minhas. Aquela expressão já foi tocada na postagem anterior: “todos cantam e todos dançam o tremendo ato final”.  Talvez o autor tenha se referido a Macbeth, a maior tragédia criada por Shakespeare, onde no Ato III, cena IV, no primeiro encontro entre as bruxas e os generais Macbeth e Banquo, fica evidente a excitação das bruxas quando dançam e cantam: “Bruxas da terra e do mar, / Toca, Toca A Cirandar, / E roda que rodopia! Três voltas para a direita, Três para a esquerda, e está feita / A preceito a bruxaria” (p. 23). Esse discurso é alusivo a Newes From Scotland, no qual, a dança feminina, em círculos à beira mar, fazia parte da celebração das bruxas. 
Ou talvez o autor tenha cunhado essa expressão por influência de Nietzsche. Na visão “Nietzscheneana”, isso seria o mesmo que “já que todos estão participando disso sem nenhuma escolha, é melhor viver, lutar, ou seja, cantar e dançar”. Nietzsche sempre costumou usar a expressão “dançar diante do abismo”.
Ou ainda, "all-singing, all-dancing" também é uma expressão idiomática nos EUA, que quer dizer "cheio de vitalidade". Talvez o autor quisesse sugerir que é assim que o feminismo deveria ser combatido.
[2] A mente-colméia, que também é muitas vezes referida como consciência coletiva, é um conjunto de atitudes, crenças e conhecimentos que são compartilhados por um grupo de pessoas. Na maioria dos casos, os indivíduos de uma sociedade estão conscientes de suas individualidade e informação na mente-colméia, muito embora, são casos extremos que podem levar muitas pessoas a se tornarem absorvidas pelo pensamento de grupo. Os grupos podem formar comunidades inteiras ou subgrupos dentro de uma comunidade.
[3] Aspas minhas. Refere-se ao livro de mesmo nome “O Imperador está nu” escrito por Jack Herer que por sua vez colocou esse título em homenagem ao famoso conto de fadas de Hans Christian Andersen: A roupa nova do rei. O livro oferece $100,000 para quem puder provar que uma premissa nele está errada (ver a premissa e demais informações em:
[4] Uma conversa, ou parte de uma conversa, entre um homem e uma mulher em que ambos são atraídos um pelo outro. Ao utilizar Gamespeak, significados literais não são muito importantes. É preciso “ler nas entrelinhas” sobre o que o homem ou a mulher realmente quer dizer. (Fonte: http://www.urbandictionary.com/define.php?term=gamespeak).

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KOSTAKIS, Adam. Refutando o Apelo ao Dicionário [Refuting the Appeal to Dictionary] [em linha]. Tradução e notas de Charlton Heslich Hauer. [S.l.]: Gynocentrism Theory, 2011. Disponível em: <http://gynotheory.blogspot.com.br/2011/01/refuting-appeal-to-dictionary.html>. Acesso em: 02 dez. 2014.

Atualizada e revisada em: 02 dez. 2014.